1953 - Nasce Gilberto Nogueira de Oliveira a 26 de agosto em Nazaré-Ba
1968 – Ingressa no PCdoB, na ilegalidade e começa sua careira literária com várias poesias e um romance: A VINGANÇA DOS IRRACIONAIS
1971 – Escreve REVOLTA e algumas poesias
1972 – Perde seu irmão mais velho (21 anos) em Salvador-Ba na militância política.
1973 – Escreve ALEM DA MISÉRIA e poesias
1974 – Escreve o SANTO DEMONIO e poesias
1976 – Muda-se para Belo Horizonte a trabalho e escreve poesias
1977 – Escreve ESSES HEROIS CAMPONESES, OS DOIS POLOS ANTAGONICOS e algumas poesias
1979 /1994 Escreve poesias
1995 – Escreve O SISTEMA e poesias
1998 – Escreve NEOLIBERALISMO NO CÉU e poesias
1999 – Escreve IMPERIO e mais dois livros que continuam sem títulos
2000 – Escreve ORGIAS CAPITAIS, FERRO, O HOMEM PARTIDO
2001 – Escreve TEATRO IMPRODUTIVO, ZÉ, e conclui o livro FERRO. São organizadas todas as suas poesias em dois livros com os títulos LÁ FORA e EM MINHA TERRA.
2002 – Não foi encontrado registros literários a partir deste ano
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MÃE
Mãe que desgraçadamente alimenta Em pleno sol do meio dia Seu filho de cor, com amor Despido do assim exigido Pela saúde impopular. O filho chora desesperado Fazendo chorar a pobre mãe Pelo filho sem solução Apertando-o ao coração Num reprimido soluço Num soluço sem eco Que nem Deus dá ouvidos Pondo um problema no ar: É o soluço muito baixo Ou Deus quem tapou os ouvidos? A mãe pede ajuda Os transeuntes não ouvem Será que taparam os ouvidos? Estão andando como máquinas apressadas Cada um para o seu lar Pois o luxo os aguarda E a mãe ali fica A chorar sua miséria Sem ter casa, comida ou razão Para oferecer aos outros cinco. Qual a solução para a tragédia De uma infeliz mãe Que por amor a seus filhos Flutua na desgraça da vida Dando braçadas contra a corrente Que é a miséria liquida De um mar de infelicidades.
O PEDREIRO
Descalço e sem amparo Ele sobe os andaimes Até chegar ao quarto andar Ainda em construção Chegando, começa o trabalho Tijolo sobre tijolo Até formar as paredes Todas niveladas Formando um desenho artigo Para a glória do engenheiro De repente, uma corda se perde E o trabalho vem abaixo Desce o pedreiro Desce o cimento Desce o concreto A parede foge ao prumo O piso foge ao esquadro A laje foge ao nível E está tudo destruído Sem que ninguém esperasse Sem saber de onde saíram Aparecem como por encanto Os fotógrafos e jornalistas O corpo de bombeiros Os carros de polícia Câmaras de TV Radialistas e curiosos Todos para um mesmo fim Filmar a desgraça Duas horas depois Do trágico acontecimento Fotografado e televisionada É que aparece uma ambulância Em busca de cadáveres Primeiro estava sendo discutido Quem ia pagar o hospital Para depois mandar a ambulância Ninguém compreende nada Todos olham no chão Um amontoado de tijolos Misturado com cadáveres E dão suas opiniões: - Embaixo destes tijolos Deve haver alguém morto. - O engenheiro disse Que é a culpa do pedreiro. Mas, o que acontece É que ninguém tira os tijolos De sobre os corpos estraçalhados. E ninguém assume a responsabilidade De toda aquela desgraça.
O ESTRANHO
Vivia num quarto trancado Fazendo, ninguém sabe o que? Talvez flores Talvez uma bomba atômica
Seria um gênio? Seria um louco?
Ninguém o compreendia Quem sabe ele descobriria A fórmula da alegria?
Não saía para nada Lá dentro, comia Lá dentro, digeria Ninguém sabe como.
Um dia a porta abriu E todos correram para ver... Não havia nada
Nem ele mesmo Provavelmente, ele consumiu-se
PROMOTORES DA DESGRAÇA
O torturador, insano Provoca a dor Sorri friamente Para a vítima indefesa Tem seu nome protegido Então começa a cumprir Sua nefasta missão Defender o Brasil Contra a ameaça comunista Porque ele tem tanto medo dos comunistas? São apenas a ínfima minoria
No ambiente mofado Sente-se um cheiro de maconha Sente-se que tudo está podre e baixo.
Colocam o cientista, brutalmente Submisso num pau-de-arara E introduz em seu anus Algo que a vítima não vê
De repente o ar é cortado Com um grito de loucura Seguido de uma gargalhada Cínica e estridente
Seria o torturador um ser humano, Ou um ser humano, um torturador?
Onde se escondem esses trastes Frios capachos do poder
Militarista e imperialista? Serão os futuros milionários? Talvez, se não ficarem loucos... também Pelo fato de não terem alma É que atingem com violência A alma do ser humano
São paus mandados do poder Que não ouvem os apelos Dos pobres desgraçados E lhes atingem a alma Para sempre. Sempre.
Logo larga o cientista E vai atender uma mulher Ela, profissional de saúde O torturador, também Ele, em sua sanha sanguinária
Ela, em sua fúria desgraçada Ele obedece uma ordem ignóbil Ela reclama uma ordem lógica Ela é tudo Ele é nada Sem ligar para seus pensamentos Ele se pôs a trabalhar Deu-lhe um forte bofetão, incisivo Sem saber, com ódio de que? E lhe quebrou os molares Chamou-lhe de puta e vagabunda Comunista e subversiva E mordeu-lhe os lábios E se deliciou com o sangue E zombou do sofrimento Ela, gritando Ele, conduzindo
Ele mandava no mundo. Era amigo dos hômi. De repente ela gritou: Eu não falo! Você falou! E ela disse: Não o que você quer! Ele disse: Eu quero o seu sangue! Ela disse: Acendam o lampião Que eu nada enxergo Puta enxerga de longe! Disse ele na sua demência. É a escoria da sociedade. Logo acendeu o lampião E depois ateou fogo À pobre infeliz Que gritava sem parar Até que parou e morreu feliz Por conseguir não falar Quando terminou de trabalhar a mercadoria Morta e toda queimada
O homem do governo Foi atender um velho Com seus oitenta anos Como o velho não aceitou Denunciar o próprio filho Foi parar no pau-de-arara Do qual jamais sairia vivo.
Logo foi atender outra mulher Que cuspiu-lhe o rosto Por isso foi torturada Com choques elétricos Diante do próprio filho Apenas uma criança De apenas dez anos Ao primeiro grito de horror Seu pequeno filho Avançou para o torturador Logo recebeu um chute Na altura do ouvido E caiu tremulo, silencioso Não satisfeito, o torturador Pegou uma barra de ferro E com um golpe raivoso Acabou matando a criança Que babava sangue Enquanto ele, espumava de raiva. Então a mãe em prantos, pediu: Me mate também! E o torturador respondeu: Não! Você vai falar! Vai ficar viva até falar! Depois eu lhe mato E lhe arranco o coração! Logo o torturador Aplicou-lhe um choque elétrico Sua intensidade foi tanta Que a língua enrolou E ela morreu sufocada E parou de sofrer Depois o torturador Disse a todos os presentes Que iria para outro lugar Dar aulas de torturas Por ordem direta de Médici Lá chegando, os outros irracionais O olharam com orgulho
Logo começou a sessão No pau-de-arara, uma adolescente Com apenas quinze anos Completamente despida Um aluno levantou-se E queria participar de perto Da macabra sessão. O profissional de saúde Elogiou sua iniciativa. Quando o torturador Deu o primeiro choque na moça O aluno disse: Deixe que eu a estupre antes Essa puta comunista. É toda sua. Se acertar fazer as coisas Vai ser promovido, imediatamente O aluno violentou a moça Que gritava sem parar Ao terminar o estupro Pegou um bastão elétrico E enfiou em sua vagina Com grande violência. Ele descobriu que o torturador Era impotente sexual. Todos o aplaudiram E o rapaz foi promovido E o torturador disse: O Brasil está orgulhoso de você
Sempre haverá tortura Sempre haverá desgraça Sempre haverá império.