Vinte anos de pastor Jacó era empregado daquele velho chato, muquirana, irritante, que muitos chamavao de Seu Labon, mas que ele, na intimidade do seu quarto de solteiro, chamava de Lambão mesmo. Todos estes anos de servidão e engolir sapos porque estava de olho em Raquel, aquela dos olhos verdes, seios voluptuosos, e cadeira de boa parideira.
Em vinte anos, pensava Jacó, este velho morre e nos deixa em paz. Mas, em vinte anos, o velho não morreu, e Raquel também envelheceu. Só que sua irmã Lia, que no começo da história era uma menina de dois anos, agora era uma jovenzita muito bem apanhada, que tocava violão e usava calças jeans bem apertadinhas. O velho agora queria que Jacó se casasse com Raquel, já nestas alturas solteirona, uns fios de cabelos brancos aqui e ali, um ar de rosa depois do terceiro dia no vaso.
Jacó preferia Lia.
Mas Lia tinha outros planos, e eles não incluíam nem Jacó, nem qualquer dos moçoilos em idade casadoura daquela vila. Tomou um ônibus, foi pra capital estudar engenharia.
No fim da história, o velho afinal morreu de velhice, e Jacó acabou se casando com Raquel porque, afinal de contas, ela era boa cozinheira, e continuava com umas cadeiras de dar gosto, ó!