"Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida." (Clarice Lispector)
“Teu coração, minha casa”.
É inútil trancar todas as entradas
Na casa do teu coração faço morada
Apenas eu preencho estes teus nadas
Às minhas rendas se rende na madrugada.
Dissemino meu cheiro pelos tapumes
As paredes do teu intimo impregnando
Altero todas as rotinas, teus costumes.
Sou o desejo no teu corpo gotejando
No cálculo das tuas horas, na contagem.
Sou saldo positivo, que te faz perceber.
A vã tentativa de extinguir minha imagem
Que coisa alguma vai minha marca remover
Posso até ser fábula, enigma, ou delírio talvez...
Mas é nos meus rios que teu sonhar tem placidez.
Imagem: Glória Salles
“Há coesão em meus versos?”
Tento alinhar os termos em palavras sóbrias
Incutir meu olhar em meio às letras dispersas.
Que brotam da alma num misterioso rumo
Dobradas no meio fio de sinopses utópicas.
E neste processo, caço nas asas do vento.
Lembranças que adormecem amarrotadas
Aspecto soturno dentre suspensas memórias
Fragmentos engomados no acumulo do tempo.
Na esquina das frases quase sempre ordenadas
Peregrinam verdades tantas vezes esquecidas
Por entre os escombros dos porões dessa vida
Minguam segredos em travessas mal iluminadas
Que entre as vírgulas dos meus versos peregrinos
Prevaleça coesão entre os devaneios e os desatinos
Imagem: internet
“Amor indisciplinado”
Esse amor que vale as correntes que arrasto Que em torno da lua desenha mistérios Que me puxa sempre por mais que me afasto Que me faz sonhar com poesia e castelos
Esse amor que é presente desde o passado De lembranças que chegam de pura magia. Que faz vir à tona, a carência de afago. Que decora em braile, minha anatomia.
Esse amor extingue a saudade insana Cujo calor, manda embora a dor e o frio. Que de repente preenche todo o vazio
Ah esse amor... Que me faz flutuar Que é dor, mas que é também lenitivo. Amor que eu quero, e pelo qual vivo.
Escrever pra mim é como respirar, é necessidade,e tudo está de certa forma no contexto da minha vida. Não sei se são de fato poemas, nem reivindico para eles qualquer elogio ou beleza. São, no entanto sinceros... Quem sabe breves momentos de plenitude. Sites que participo: